Oposição venezuelana busca sensibilizar eleitores em campanha incomum
- América Latina
- maio 23, 2024
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Vencedora das primárias e impedida de concorrer, María Corina Machado participa da campanha de Edmundo González
María Corina Machado e Edmundo González em La VictoriaA campanha é a primeira vez em uma década que a oposição, que boicotou a eleição de 2018, participa de uma disputa presidencial. O presidente Nicolás Maduro, do partido Socialista, está buscando seu terceiro mandato.
“Em 28 de julho, venceremos com nosso candidato Edmundo, libertaremos a Venezuela e levaremos nossos filhos de volta para casa”, disse Machado a uma multidão animada no fim de semana em um evento conjunto em La Victoria, cidade natal de González na província central de Aragua.
Muitos venezuelanos idosos permaneceram no país mesmo quando seus filhos e netos partiram em busca de oportunidades no exterior, enviando remessas de dinheiro para ajudar os membros da família a sobreviver.
Sob um sol escaldante, Machado, engenheira de 56 anos cuja proibição de ocupar cargos públicos foi confirmada pela Suprema Corte em janeiro, caminhou em meio a uma multidão de eleitores.
O comício de sábado(18) não contou com palco, luzes ou sistema de som. Em vez disso, Machado, que diz que sua proibição é ilegal, falou da caçamba de um grande caminhão, dizendo aos espectadores que, se votarem em González, a oposição unida vencerá.
Os comentários do ex-diplomata González, 74 anos, nomeado candidato da oposição em abril, foram interrompidos por cantos e aplausos.
“Nunca vimos uma pessoa que não fosse o candidato fazer campanha”, disse Heberto Leal, de 70 anos, da cidade petrolífera de Maracaibo, que sofre com apagões regulares.
“Machado é a líder do movimento que mudou a Venezuela e que acordou tantas pessoas que não acreditavam”, afirmou Leal, acrescentando que González é “uma garantia para a recuperação da Venezuela”.
Maduro, cujo governo diz que González é um fantoche dos Estados Unidos, não enfatizou políticas específicas durante sua campanha, mas, em vez disso, tem afirmado que a oposição é uma oligarquia que não está interessada nos pobres da Venezuela.
Ainda há o risco de o governo, a Suprema Corte ou outra autoridade retirar González da cédula de votação, bani-lo do cargo ou até mesmo adiar a eleição, segundo analistas.
Também há dúvidas sobre se a vitória de González seria reconhecida por Maduro e se o candidato da oposição poderia assumir o cargo em janeiro, caso vencesse.